O Município

Dados do município.

Dados do município/localização

Fundação: 17/08/1846
Emancipação Política: 17 de agosto de 1846
Gentílico: milagrense
Unidade Federatíva: Ceará
Mesorregião: Sul Cearense
Microrregião: Brejo Santo
Distância para a capital: 475 KM

Dados de características geográficas

Área: 579.097,00
População estimada: 26819
Densidade: 44,72
Altitude: 334
Clima: Tropical quente semiárido
Fuso Horário: UTC-3
A Emancipação da Vila de Nossa Senhora dos Milagres em 17 de agosto de 1846

O Crato era a principal cidade da região, e seu território compreendia boa parte dos territórios onde hoje estão os municípios de Juazeiro do Norte, Barbalha, Missão Velha e Milagres. A Povoação de Nossa Senhora dos Milagres havia sido fundada em 1738 pelo colonizador Bento Correia Lima, que se apropriou das terras dos indígenas Kariris que viviam nas margens do Riacho dos Porcos.

Ao longo do século XVIII, a Povoação de Milagres se desenvolveu por meio da produção de cana-de-açúcar, mas principalmente de gado. Milagres se tornaria um importante centro produtor de gado vacum. A pecuária, isto é, a criação de gado, seria uma das grandes riquezas de Milagres até o século XX.

As famílias Leite Furtado, Morais, Filgueiras e Sampaio, grandes latifundiários do Vale do Riacho dos Porcos, tornaram-se imensamente ricas produzindo cana-de-açúcar, gado e, posteriormente, algodão. Na década de 1830, essas famílias ricas do Povoado de Milagres passaram a requerer do governo provincial a emancipação da localidade.

Até 1829, a Povoação de Nossa Senhora dos Milagres pertenceu à Vila de Jardim, mas na década de 1830 foi incorporada ao Crato. Milagres já havia pertencido antes ao Crato até 1814. Com o predomínio da família Alencar sobre a política cearense, os latifundiários do Vale do Riacho dos Porcos, que haviam apoiado os liberais do Crato, passaram a cobrar a emancipação de Milagres como recompensa ao apoio dado na luta contra Joaquim Pinto Madeira.

Desse modo, em 1842, a Povoação de Nossa Senhora dos Milagres foi elevada à categoria de Freguesia de Nossa Senhora dos Milagres. Como freguesia, a povoação poderia agora ter um pároco próprio para celebrar as missas na igreja de Nossa Senhora dos Milagres. No entanto, a elevação à posição de freguesia não foi reconhecida imediatamente pela Igreja, e somente em 1850 Milagres ganharia um pároco.

Finalmente, em 17 de agosto de 1846, foi decretada a emancipação de Milagres, isto é, nesta data a povoação foi elevada à categoria de Vila de Nossa Senhora dos Milagres, passando a ser uma cidade independente da Vila Real do Crato.

A Vila de Milagres era então rica em produção de cana-de-açúcar, possuindo dezenas de engenhos que produziam açúcar, rapadura e cachaça. Havia também imensos rebanhos bovinos que produziam carne e couro. O gado criado em Milagres também era vendido vivo nas feiras de Crato, Icó, Cajazeiras, Sousa e Salgueiro. Na segunda metade do século XIX, a Vila de Milagres também se tornou uma rica área de cultivo da cotonicultura, isto é, de algodão.
A Fundação da Povoação de Nossa Senhora dos Milagres


Em 1703, um senhor de engenho da Vila Real de Goiana, na Capitania de Pernambuco, solicitou e obteve do capitão-mor Jorge de Barros Leite as terras do Riacho dos Porcos. No pedido de sesmaria, o fazendeiro Bento Correia Lima informou que ele e seu primo João Dantas Aranha pretendiam povoar as terras que, segundo eles, eram devolutas. Em 1704, Bento Correia Lima voltou a solicitar as mesmas terras, informando mais uma vez que iria ocupá-las. No entanto, até 1723, quando fez o sexto pedido de posse dessas terras, ainda não as havia ocupado efetivamente.

Entre os anos de 1690 e 1730, o conflito entre os indígenas Kariri, sublevados contra os colonizadores que pretendiam ocupar as terras das tribos que se haviam instalado nos sertões, impediu o capitão Bento Correia Lima e João Dantas Aranha de ocuparem suas novas propriedades do Riacho dos Porcos. A Guerra dos Bárbaros, como ficou conhecida a Confederação dos Cariris, se impôs como uma verdadeira barreira contra os projetos colonizadores da Coroa Portuguesa nos sertões do Nordeste. Porém, na década de 1730, a vitória dos colonos já se impunha como inevitável, e os fazendeiros criadores de gado, provenientes das capitanias de Pernambuco, Sergipe e Bahia, avançaram com seus rebanhos em direção aos sertões do Ceará, Paraíba, Rio Grande do Norte e Piauí.

Em 1735, finalmente, as terras da área do Riacho dos Porcos foram efetivamente ocupadas pelo capitão Bento Correia Lima, que, além do gado criado solto nas matas e várzeas da região desde a década anterior, passou a instalar na localidade denominada Sítio Pilar uma sede de fazenda e um engenho de pau. A fertilidade do solo e a abundância de água tornaram possível o plantio de cana-de-açúcar para a produção de rapadura, cachaça e açúcar. Assim, esse primeiro engenho do Cariri, construído nas margens do Riacho dos Porcos, e a criação de gado levaram à prosperidade da região. Em 1740, o capitão Bento Correia Lima doou à Sé de Olinda um terreno nas proximidades do Sítio Pilar para a construção de uma capela em honra a Nossa Senhora dos Milagres.

A construção de uma igreja em honra a Nossa Senhora dos Milagres foi o marco inicial da fundação da Povoação de Nossa Senhora dos Milagres no ano de 1740. Com uma população de aproximadamente uma centena de habitantes, em sua maioria trabalhadores negros e indígenas livres ou escravizados, a Povoação de Nossa Senhora dos Milagres rapidamente se desenvolveu, transformando-se num importante centro colonizador no Cariri Oriental. Em 1745, uma seca se abateu sobre o sertão cearense e obrigou os colonos a se retirarem de suas sesmarias. O capitão Bento Correia Lima escreveu ao rei Dom Pedro II de Portugal pedindo indenização pelas suas perdas em gado e cana devido à seca na região do Riacho dos Porcos.

Em 1749, após quatro anos de relativo abandono, a Povoação de Nossa Senhora dos Milagres voltou a interessar aos colonizadores, e a capela, que havia parcialmente desmoronado, foi reconstruída. Ao longo das décadas de 1750 a 1770, a localidade ganhou novas fazendas de criação de gado e engenhos de rapadura.

Nas primeiras décadas do século XIX, assim como Crato e Jardim, Milagres já tinha as mais ricas fazendas da região. Até 1829, a Povoação de Milagres esteve sob a jurisdição de Jardim, e os proprietários locais, que em 1824 haviam se aliado a Joaquim Pinto Madeira contra a família Alencar, passaram a solicitar à Câmara Municipal da Vila de Jardim autonomia política. No ano de 1831, a Revolta de Pinto Madeira voltou a agitar o Cariri, impondo aos fazendeiros a necessidade de se alinharem em dois grupos políticos: de um lado, os aliados de José Martiniano de Alencar, político cratense que liderou a Revolta de 1817 e a Confederação do Equador no Ceará; e do outro, os partidários do caudilho Pinto Madeira. A vitória do Crato sobre Jardim reorganizou as forças políticas do Ceará, e em Milagres não foi diferente. Assim, em 1842, a Assembleia Provincial do Ceará apresentou o projeto de transformação da Povoação de Milagres em freguesia.

O desenvolvimento econômico de Milagres, graças aos seus rebanhos de gado e aos extensos canaviais, bem como os acordos políticos entre a elite latifundiária local e a família Alencar, que se tornara a mais poderosa força política do Ceará, levaram à emancipação da Povoação de Milagres em relação ao Crato no dia 17 de agosto de 1846. Assim, Milagres foi elevada à condição de vila, ganhando uma câmara municipal, um delegado e um juiz de direito.
Júlio Rodrigues Coelho (?-1887-1932), farmacêutico que dá nome à rua próxima da igreja matriz. Embora não fosse médico formado, exercia, na qualidade de farmacêutico, toda a assistência médica da população no início do século XX, indo ao encontro dos habitantes mais distantes em lombo de jumento, sem receber, por vezes, qualquer remuneração.

Em virtude de seu trabalho, sua saúde ficou bastante debilitada, tendo falecido ainda jovem, deixando viúva Adelia Gomes Coelho e 13 filhos, dentre os quais Aldenor Coelho, que seguiu os passos do pai como farmacêutico e José Osmar Gomes Coelho (1926-2000), que chegou a vice-prefeito do município com votação superior a do então prefeito, nos anos 60.

Raimundo Alves Pereira, um dos coronéis do Cariri, foi o primeiro prefeito da cidade. Escolhido pelo governo da República Velha, governou de 1916 a 1925. Torna-se novamente prefeito pelo PTB no período de 1936 a 1940.

João Fechine de Melo, homenageado ao emprestar seu nome a uma das ruas mais conhecidas da cidade, foi eleito prefeito entre os anos de 1931 a 1934.

Clicério Martins Pereira, fazendeiro, um dos maiores produtores de algodão de sua época, também foi prefeito durante os anos de 1948-1950. Hoje, uma das maiores escolas do município leva seu nome, sendo a responsável por disseminar a educação entre a população carente e incrementar os índices de alfabetização. Nessa escola funciona um dos maiores colégios eleitorais da cidade.

Cícero Leite Dantas, o primeiro prefeito eleito diretamente pelos votos da população da cidade, governou durante o quadriênio 1926-1930. Seu nome é homenageado ao batizar o edifício da Prefeitura Municipal de Milagres.
O município de Milagres é dividido em dois distritos: Milagres (sede) e Podimirim.

Bairros

Adalgísia Lins (conjunto)
Antônia Maria Fernandes (conjunto)
Casa Própria (COHAB)
Centro
Eucaliptos
Francisca do Socorro
Frei Damião
Mário Teles(conjunto)
Missionárias
Padre Cícero
Triâgulo
Distrito criado com a denominação de Milagres, pela Resolução Régia de 01-04-1813, e ato provincial de 18-03-1842, e por lei provincial nº 263, de 03-12-1842. subordinado ao município de Crato.

Elevado à categoria de vila com a denominação de Milagre, pela lei provincial nº 374, de 1708-1846, desmembrado de Crato. Sede no núcleo de Milagres. Instalado em

Pela lei provincial nº 1708, de 25-07-1876 e ato provincial de 30-12-1862 é criado o distrito de Brejo dos Santos e anexado ao município de Milagres

Pela ato provincial de 27-03-1873, é criado o distrito de São Pedro e anexado ao município de Milagres.

Elevado a condição de cidade, com a denominação de Milagres, pelo decreto estadual nº 31, de 25-07-1890.

Pelo decreto estadual nº 49, de 26-08-1890, desmembra do município de milagres o distrito de Brejo dos Santos. Elevado a categoria de vila.

Pela lei nº 257, de 20-09-1895, o município de Milagres adquiriu a extitnta vila de Mauriti, como simples distrito.

Em divisão administrativa referente ao ano de 1911, o município aparece constituído de 4 distritos: Milagres, Cuncas, São Pedro e Mauriti.

Nos quadros de apuração do Recenseamento Geral de I-IX-1920, o município é constituído de 5 distrtios: Milagres, Cuncas, Mauriti, Santa Cruz e São Pedro.

Pela lei estadual nº 2211, de 28-10-1924, desmembra do município de Milagres o distrito de Mauriti. Elevado à categoria de município.

Pela lei estadual nº 2634, de 06-10-1928, desmembra do município de Milagres o distrito de Mauriti. Elevado novamente à categoria de município.

Pelo decreto estadual nº 1156, de 04-12-1933, desmembra do município de Milagres os distritos de Mauriti e Santa Cruz. Para formar o novo município de Mauriti. Sob o mesmo decreto acima citado, é criado o distrito de Rosário e anexado ao município de Milagres.

Em divisão administrativa referente ao ano de 1933, o município é constituído de 4 distritos: Milagres, Cuncas, Rosário e São Pedro.

Assim permanecendo em divisão territorial datada de 31-XII-1936.

Pelo decreto estadual nº 378, de 20-10-1937, é criado o distrito de Barro e anexado ao

município de Milagres. Em divisão territorial datada de 31-XII-1937, o município é constituído de 5 distritos: Milagres, Barro, Cuncas, Rosário e São Pedro. Pelo decreto-lei estadual nº 448, de 20-12-1938, o distrito de São Pedro passou a denominar-se Pedro Segundo e o distrito de Rosário a denominar-se Podimirim. No quadro fixado para vigorar no período de 1939-1943, o município é constituído de 5 distritos: Milagres, Barro, Cuncas, Pedro Segundo ex-São Pedro e Podimirim ex-Rosário. Pelo decreto-lei estadual nº 1114, de 30-12-1943, o distrito de Pedro Segundo passou a denominar-se Abaiara. No quadro fixado para vigorar o período de 1944-1948, o município é constituído de 5 distritos: Milagres, Abaiara ex-Pedro Segundo, Barro, Cunca e Podimirim. Pela lei estadual nº 1153, de 22-11-1951, desmembra de Milagres os distritos de Barro e Cuncas. Para formar o novo município de Barro. Em divisão territorial datada de 1-VII-1955, o município é constituído de 3 distritos: Milagres, Abaiara e Podimirim. Pela lei estadual nº 3921, de 25-11-1957, desmembra de Milagres o distrito de Abaiara. Elevado à categoria de município. Em divisão territorial datada de 1-VII-1960, o município é constituído de 2 distritos: Milagres e Podimirim. Assim permanecendo em divisão territorial datada de 2005.

BRASÃO


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